Por que a Natura não vende perfume (e o que a Petrobras tem a ver com isso)?

Se você entrar em uma loja da Natura, verá prateleiras cheias de frascos. No entanto, se você analisar o balanço de marca e as campanhas publicitárias da empresa, perceberá algo estranho: o perfume é apenas um detalhe.

A Natura não vende fragrâncias; ela vende a preservação da Amazônia, o apoio a comunidades ribeirinhas e o conceito de “bem estar bem”. Ela vende a sustentabilidade como o item principal do carrinho de compras. O perfume é, na verdade, o souvenir que você leva para casa para se lembrar de que faz parte desse movimento.

Mas o que isso tem a ver com a Petrobras?

O Jogo da Narrativa Estratégica

A Petrobras opera em um cenário oposto. Enquanto a Natura usa a sustentabilidade para atrair o cliente, a Petrobras utiliza recursos narrativos para redirecionar o olhar do público.

Como uma gigante do petróleo, a empresa enfrenta um desafio de imagem natural em tempos de crise climática. Para equilibrar essa balança, a estratégia de comunicação não foca no “petróleo bruto”, mas sim no investimento em cultura, na preservação da fauna marinha e na pesquisa de energias limpas.

O Ponto de Encontro é o Poder do Foco

Quando uma marca abraça uma causa como a sustentabilidade, ela deixa de competir apenas por atributos físicos e passa a ser escolhida por alinhamento de valores. Esse movimento transforma o produto em um símbolo de identidade: o consumidor da Natura não compra apenas uma fragrância, ele adquire o rótulo de “consciente”, enquanto a Petrobras utiliza essa narrativa para construir uma licença social, mostrando que sua operação financia o futuro da transição energética.

Dominar a história que cerca o produto é entender que a técnica informa, mas a causa convence. No mercado atual, o marketing de propósito atinge o sistema límbico do cliente, a área responsável pelas decisões emocionais e de pertencimento, tornando a marca insubstituível no ato da compra em um produto.

O Insight para o seu Negócio

O primeiro passo para elevar o seu jogo no varejo é mapear o “valor emocional” que o seu produto entrega na prateleira. Se você vende uma maquiagem, sua cliente não busca apenas pigmento e fixação; ela busca a autoconfiança para uma reunião importante ou o prazer de se sentir cuidada após um dia cansativo. Pare de listar apenas ingredientes ou tamanhos e comece a vender o “momento do uso”: como a rotina daquela pessoa será elevada por esse item? Ao identificar essa moeda invisível, você deixa de vender um objeto comparável por preço e passa a entregar um benefício que o cliente não aceita trocar por uma marca mais barata.

Para aplicar isso hoje na sua loja, mude o foco da sua vitrine e do seu discurso de vendas: em vez de dizer o que o produto é, explique quem o cliente se torna ao usá-lo. Se as gigantes usam narrativas para moldar a percepção, sua loja deve usar o branding para criar um senso de estilo de vida e pertencimento. Quando você para de vender apenas o “estoque” e começa a vender a transformação estética ou emocional que ele gera, o preço torna-se secundário. Sua marca deixa de ser apenas um lugar que vende coisas e passa a ser o destino de quem busca uma nova versão de si mesmo.

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Beatriz Santiago

Escritora e blogueiro

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